quarta-feira, 9 de maio de 2012

A Autarquia e a promoção do Desporto


            A prática desportiva tem vindo a ganhar relevo nos últimos tempos como componente duma vida saudável, sendo o desporto é uma das actividades cada vez mais praticadas pelos habitantes de qualquer município, seja de forma lúdica ou profissional, seja de forma regular ou ocasional, seja nas escolas, seja nos tempos livres.
            É pois natural que a autarquia se envolva na promoção do Desporto como um dos vectores da sua acção, devido á sua importância como factor promotor de saúde, de integração social, cultural e educativa e ainda com implicações no sector económico.
            Para avaliar o impacto da actividade desportiva na promoção da saúde da comunidade foram feitos vários estudos, os quais demonstraram que os investimentos na prática desportiva se traduzem em ganhos, permitindo poupança em custos com cuidados de saúde.
            Além de proporcionar uma vida saudável aos seus munícipes, o desporto deve também ser valorizado como factor de desenvolvimento económico pelo efeito indutor que provoca nas actividades associadas directa e indirectamente à sua prática.
            Para além dos benefícios referidos, o desporto é ainda um instrumento de coesão social, um mecanismo de promover uma cidadania activa, de integração de várias culturas e de uniformização social.
            A prática desportiva deve pois ser incentivada com vista a promover estilos de vida saudáveis, adaptados e adequados ao utilizador, independentemente do seu estrato social, condição física, ou etnia, sendo que para conseguir uma prática desportiva de qualidade é necessário apostar em valores como a Equidade, a Imparcialidade, o Dinamismo, o Rigor e a Inovação.
Também a nível da prática desportiva é necessário considerar que ela se desenvolva tendo em vista a sua sustentabilidade, o seu enquadramento local, o meio ambiente circundante e os factores socioculturais da região.
Os objectivos da autarquia para a promoção da prática desportiva devem passar por aumentar o número de praticantes, pela criação e requalificação dos equipamentos adequados, pela inclusão social dos seus praticantes, pela qualificação dos agentes intervenientes, pela sua dinamização em ambiente escolar, pela divulgação e promoção de eventos, bem como pelo apoio ao movimento associativo.
            Uma das ferramentas qua autarquia tem ao seu dispor é a criação dum Plano para a Prática Desportiva que permita maximizar os investimentos nesta área. Para a realização desse plano é fundamental fazer um levantamento exaustivo de todas as estruturas vocacionadas para a prática desportiva existentes no município, construindo uma verdadeira Carta Desportiva, capaz de permitir maximizar a utilização tanto dos espaços edificados como dos recursos naturais.
            Uma das metas comuns a várias autarquias é conseguir que a médio prazo, em 2020, se consiga uma taxa de 50% de indivíduos residentes no município mantenham uma prática desportiva regular.

terça-feira, 8 de maio de 2012

TEDx Barcelos


            Decorreu em Barcelos no passado dia 28 um evento que passou talvez um pouco despercebido, mas que se revestiu de grande importância, até pelo tema, “Caminhos Diferentes”, o qual poderia ser replicado em várias autarquias.
            Caminhos diferentes é na verdade o imperativo para retirar o país, tal como a Europa, de um atoleiro sem solução que faz crescer o desemprego e a precariedade, com destaque para o desemprego jovem o qual já ultrapassa um em cada três desempregados.
            Estou apenas ligado a Barcelos por razões profissionais, as quais já se tronaram também afectivas, e não conheço bem as chamadas “forças vivas da cidade”, mas não me pareceu ver ninguém ligado à autarquia, à comunicação social ou às empresas. Vi de facto muitos jovens interessados e motivados, o que me deixou bem impressionado e destaco a qualidade da organização.
            Aproveitei a iniciativa para retirar algumas notas que me pareceram importantes.
            Destaco em primeiro lugar o facto de um dos oradores partilhar comigo a preocupação de que o pior talvez esteja para vir já no segundo semestre de 2012. Destaco ainda a filosofia ALA, que eu vou passar a adoptar como filosofia ASA, e finalmente o dado objectivo de apenas produzimos 15% dos alimentos que consumimos.
            O TEDx é um evento que decorre em vários países e um grupo de jovens resolveu ousar fazer o mesmo em Barcelos, tendo-o feito com muito mérito. O conceito TED é um modelo que se baseia numa sequência de apresentações rápidas e concisas com um formato máximo de 18 minutos.
            A inovação, um conceito muito em voga, foi salientado como o motor para gerar mais riqueza, desde que essa inovação seja susceptível de acrescentar valor a um determinado produto, não bastando apenas inovar por inovar. É necessária motivação para inovar mas também competências para o fazer. Para inovar é fundamental estar aberto e atento ao mundo que nos rodeia e não fechado numa caixa reduzido a um universo de quatro paredes. Num mundo cada vez mais global e dinâmico uma empresa se não inova fecha.
             Para que um produto possa ser inovador de modo a gerar valor é preciso estudar o mercado e saber promover esse produto através dum marketing adequado, sendo esta procura de criar valor o que permite melhorar o mundo.
            Outro dos temas que foi descodificado foi a Nanotecnologia, especialmente importante porque existe em Braga um centro ibérico de Nanotecnologia. Este conceito foi criado por Feynman, o qual pensou a manipulação de objectos à escala manométrica.
            A nanotecnologia tem muitas aplicações a nível da electrónica, produtos farmacêuticos, indústria têxtil, etiquetas inteligentes, nano materiais activos, inteligentes, “smart windows”, nano chips e mesmo inteligência artificial.
           Falou-se também em empreendedorismo. O ponto de partida é imaginarmos o que gostávamos de ver presente no mercado. Para ser empreendedor é necessário ter capacidade para descodificar as oportunidades do mercado. Nem sempre as coisas correm bem, mas em vez de desistir temos de ser persistentes, saber admitir que falhamos várias vezes, garantindo contudo que tal não volte a acontecer.
            Uma das palavras mais pronunciadas como alternativa à austeridade é a sustentabilidade, algo que muito se fala mas poucos sabem definir, a qual me pareceu bem resumida no equilíbrio entre três pilares, o económico, o social e o ambiental. Falar em sustentabilidade é falar em consumo racional, sóbrio pois muitas vezes o consumidor não tem relação de sustentabilidade com o consumo.
           Gostaria de deixar um relevo especial para a filosofia ALA que são as siglas de Atento, “Lean”, e Activo. Como estamos em Portugal eu preferia adoptar ASA, Atento, Sóbrio e Activo.
            É preciso estar atento aos indicadores, saber antecipar os acontecimentos, sair do umbigo, da zona de conforto, questionar os actuais paradigmas. Num mundo globalizado não se pode estar nunca mais orgulhosamente sós. Temos de ter humildade, saber reconhecer desperdícios, pensar de forma sóbria, de modo a transformar a gordura em músculo, utilizando melhor o que nós temos.
            Caminhos diferentes é sobretudo mudar os paradigmas actuais que têm como palavras-chave Expansão, Competição, Quantitativo, Dominação para outros alicerçados em Conservação, Qualitativo (felicidade), Parceria. Mudar de paradigmas implica combater a tirania do senso comum, pois está em curso o que podemos chamar de terceira revolução industrial, devendo todos os protagonistas estar atentos às mudanças sociais
            Atendendo à minha ligação à música não poderia deixar de referia a intervenção de Ilídio Marques que fez uma boa apresentação do fenómeno que é o Rock em Barcelos, a sua expressão na comunidade juvenil existindo inúmeras bandas e 10 festivais em Barcelos.
            Também no campo das artes foi apresentado o Canal 180, o primeiro canal nacional de criação artística.
            Foi também designado o século XXI o século da Biologia, o século XIX da Física e o XX da Química, tendo sido com base nessa filosofia apontada a natureza como modelo para a arquitectura, a qual se pretende auto sustentável ecologicamente.
            Terminaria a salientar que não devemos ter vergonha de ser portugueses e é com bastante honra que a nossa língua é das mais faladas na Internet.

domingo, 6 de maio de 2012

A acção municipal perante as energias renováveis e a eficiência energética


          Com o aumento imparável do preço dos combustíveis fósseis, os custos com a energia vão ser uma das maiores fatias no orçamento da autarquia, pelo que o investimento nas energias renováveis e a aposta na eficiência energética deve ser uma das suas principais preocupações. Acresce ainda ao referido, o facto da utilização massiva dos combustíveis fósseis ter impactos ambientais profundamente negativos, piorando a qualidade do meio que nos rodeia, nomeadamente o ar e a água.
           O investimento em parques eólicos, solares, pequenas barragens, biocombustíveis e outros deve ser uma prioridade, bem como criar incentivos, por exemplo a nível de estacionamento ou facilidade de circulação para os veículos não poluentes.
           A autarquia deve fazer um levantamento das potencialidades e recursos do município no campo das energias renováveis, bem como a sua caracterização de modo a obter um estudo capaz de servir de guia a uma sustentável aplicação deste tipo de energias.
          A autarquia deve também patrocinar ou apoiar empresas inovadoras nessas áreas e promover uma articulação com o ensino superior para o desenvolvimento de tecnologias neste domínio.
          Paralelamente ao investimento na promoção das energias renováveis, deve ser promovida a utilização racional de energia, para minimizar os impactos ambientais e reduzir a dependência externa neste sector.
          A autarquia deve fazer campanhas de educação do cidadão no sentido de optimizar a eficiência energética, devendo dirigir-se também ao sector industrial no sentido de usar tecnologias mais eficazes em termos energéticos.
          Para coordenar este sector a autarquia pode elaborar um plano de energia seguindo o exemplo de Barcelona, que foi a primeira cidade europeia a ter uma Lei de Energia Solar e Térmica, pela qual se torna obrigatória a utilização da energia solar no abastecimento de 60% da água quente utilizada em todas as novas construções e edifícios renovados

A autarquia e o seu papel no campo do Turismo


            Portugal pela sua posição geográfica, pelo seu clima e pela sua história é um país com grandes capacidades a nível do Turismo.
            O Turismo é um factor com grande importância na economia nacional e da mesma forma também o é a nível local. A autarquia deve por isso fazer um planeamento que permita uma gestão eficaz, inovadora e sustentável, capaz de explorar todas as potencialidades inerentes esta indústria como promotora da actividade local, no sentido de ser fonte de receita e emprego para os seus cidadãos.
            O sector do turismo permite alavancar numerosos sectores da economia, como a restauração a hotelaria, os transportes urbanos, as infra-estruturas culturais, os centros de congressos, pelo que deve ser estruturado com uma visão ampla, capaz de criar sinergias que potenciem os seus diversos componentes.
            Para conseguir maximizar os resultados deve ser ponto de partida a identificação dos valores e recursos turísticos capazes de ser considerados elementos de atracção do concelho, atendendo ao seu património histórico, geográfico e cultural, tendo o cuidado de fazer esse levantamento com um balanço que permita a sua caracterização, bem como análise da oferta e da procura que poderá ter.
            É importante que o forasteiro ao chegar ao município encontre informação detalhada sobre as principais atracções turísticas, começando logo por uma sinalética objectiva e adequada que o guie com facilidade aos pontos-chave.
            O cidadão hoje tem acesso a conteúdos disponíveis na Internet, pelo que é importante que a principal informação esteja disponível na rede de forma objectiva, clara e apelativa.
            Os objectos do turismo devem estar bem apresentados, de forma cuidada, os empresários do sector devem ter formação adequada para saber rentabilizar ao máximo as potencialidades do seu investimento, tendo em atenção as particularidades da mudança de comportamento e exigência do potencial utilizador, bem como a situação de crise económica que obriga a uma maior contenção de custos, devendo a oferta estar adequada relativamente a esta nova realidade.
            A actividade turística não é um conceito fechado, pelo que todas as áreas de acção da autarquia devem ter a sensibilidade para criar um ambiente favorável no sentido desta actividade poder crescer economicamente, de modo a ser fonte de emprego e rendimento para os munícipes.
            Para dar a conhecer as potencialidades do Turismo da região, um dos mecanismos utilizados frequentemente são as feiras ou mostras dedicadas a esse fim, onde é apresentada a gastronomia, a etnografia, o património histórico, arquitectónico, paisagístico, as infra-estruturas para a prática de actividades desportivas e os principais roteiros turísticos da região, a que se devem acrescentar, na minha óptica, as potencialidades do concelho nas novas tecnologias e inovação.
            Uma das formas de potenciar o turismo é a adopção dum ícone que facilmente identifique o município, que seja fonte de atracção e possa eventualmente ser comercializado.
            Pensar em Turismo é também pensar na sua sustentabilidade, pelo que não podemos esquecer a necessidade da exploração deste sector ser feita de forma amiga do ambiente, com viabilidade económica, respeitando a justiça social, tornando imperativo o estudo da sua capacidade limite suportável e respectivo impacto na exploração dos recursos disponíveis.  
           Uma das ferramentas que a autarquia pode utilizar é a criação dum Plano Municipal de Turismo, o qual traçará as linhas directrizes para que o município oriente a sua intervenção nesta área de acordo com a estratégia contida nesse plano para tentar potencializar ao máximo os recursos capazes de serem utilizados como oferta nessa área.

domingo, 29 de abril de 2012

A autarquia e o seu papel no campo do Ambiente


            Uma cidade saudável é uma cidade que é amiga do ambiente. Os progressos tecnológicos das últimas décadas criaram objectos de bem-estar inimagináveis até há bem pouco tempo, mas trouxeram consigo o problema da poluição que degrada a nossa qualidade de vida e compromete o bem-estar das futuras gerações.
            A autarquia deve pugnar por um desenvolvimento do município em respeito pelo ambiente, pois só assim estaremos em condições de entregar um planeta no qual se possa viver às futuras gerações, para além de promovermos uma vida mais saudável para todos, logo uma vida com mais qualidade. É a com base nisto que as questões ambientais surgem na primeira linha das preocupações na generalidade das autarquias.
            O ambiente é um factor transversal a todas as áreas onde a autarquia intervém, sendo ao mesmo tempo um factor e consequência de todas as decisões tomadas em áreas tão diversas como o urbanismo, a mobilidade, a saúde, ou o saneamento, entre outras.
            Pensar em ambiente é pensar num conjunto de vectores onde colocamos à cabeça os espaços verdes, mas que incluem também a gestão sustentável dos recursos naturais, a higiene urbana, a qualidade do ar e do ruído, a recolha e tratamento dos resíduos e a defesa do património florestal, complementadas por uma verdadeira educação ambiental.
            Como pontos-chave deste conjunto de vectores, poderemos salientar a importância da limpeza das ruas, à qual está associada a educação do cidadão para ser mais cuidadoso, a importância de definir uma rede de ecopontos que tenham em atenção a eficiência mas também o seu enquadramento na imagem urbana, sendo também importante definir uma rede de ecocentros, onde serão depositados os resíduos de maiores dimensões. Para atingir uma melhoria da qualidade do ar e do ruído será importante a aposta no transporte público, bem como em veículos ecológicos. Do mesmo modo a construção e a requalificação urbana devem ser feitas de forma orientada para um tipo de habitação auto-sustentável que seja amiga do ambiente.
    As autarquias devem dotar-se de ferramentas capazes de permitir uma eficaz aplicação das normas e objectivos de todos os programas ambientais tendentes a criar um plano de acção, o Plano Municipal do Ambiente, um desafio lançado pelas Nações Unidas em 1992 ao criar a Agenda XXI - Plano de Acção para o Desenvolvimento sustentável, no âmbito do qual existe em Portugal a Rede Portuguesa de Cidades e Vilas Sustentáveis.
           Para o instalar e monitorizar podemos apoiar-nos em Conselhos ou Órgãos municipais, de natureza consultiva com o objectivo de analisar, discutir e propor medidas de concretização das políticas sectoriais em colaboração com a Câmara Municipal na sua resolução e implementação.
            Uma das ferramentas a considerar é o Conselho Municipal para o Desenvolvimento Sustentável (CMDS), um órgão independente de carácter consultivo, agregando as entidades mais representativas da autarquia, com a função de estabelecer em diálogo uma estrutura permanente de debate e participação relativamente a todas as matérias municipais relevantes em termos de Desenvolvimento sustentável. Este órgão poderia emitir pareceres nestas matérias com o objectivo de estimular e promover a participação pública individual e colectiva, apoiando dessa forma a autarquia na definição das políticas municipais em regime de  cidadania activa e responsável, fomentando o associativismo, em particular dos jovens, num espírito de equipa e partilha de informação.

A autarquia e o sector Agro-pecuário


          Numa época de crise, o combate à fome deve ser uma das preocupações de qualquer autarquia interessada no bem-estar da sua população, até porque uma das faces da crise é a fome, a qual só se combate com a produção de alimentos.
          Os mecanismos para garantir o abastecimento de bens alimentares à população, nomeadamente aos mais carenciados, necessitam dum planeamento atempado, pois a produção deste tipo de produtos obedece às exigências próprias dum calendário onde manda a natureza.
          A autarquia deve saber antecipar os problemas procurando dinamizar os espaços agrícolas abandonados no sentidos de proporcionar a sua utilização de modo a que estes se tornem produtivos, apoiar os agricultores jovens e o seu acesso a tecnologias mais diferenciadas capazes de obter ganhos de produtividade. Este conjunto de mecanismos pode ser utilizado no sentido de garantir a produção de alimentos suficientes para contrabalançar as importações, promover estudos com vista à produção de biocombustíveis e incentivar o desenvolvimento de novas tecnologias que permitam maximizar a rentabilidade enérgica destes.
          A autarquia pode fazer acções de sensibilização para promover o investimento na agricultura sustentável, facilitar meios para a sua aplicação, criar mecanismos para os produtos serem escoados fora das grandes superfícies comerciais, com as quais têm de concorrer em situação de desvantagem devido às condicionantes da economia de escala e a critérios apertados que regulam a comercialização dos seus produtos, por vezes difíceis de entender num contexto paradoxal em que coexistem fome e exigências aparentemente desmesuradas que levam à destruição ou desincentivam a produção de alimentos.
           Numa vertente mais empresarial, a autarquia deve estimular a utilização de novas tecnologias visando a diferenciação, a excelência, a qualificação, a certificação e a optimização da produção agrícola, de modo à tornar mais competitiva e ser um factor de exportação, tentando inverter a tendência de importação deste tipo de bens característica da nossa sociedade.
            A nível estratégico, a autarquia deve estimular a rentabilização de terrenos com capacidade de serem utilizados para fins agrícolas em vez de serem condenados ao abandono, promover uma reorganização urbana que crie pólos habitacionais centralizados de forma mais racional de modo a, por um lado, permitir uma diminuição de custos com a instalação de infra-estruturas associadas à habitação e por outro lado criar pólos específicos destinados ao sector agro-pecuário.
           Existem municípios que dispõem de estruturas organizadas de apoio à agricultura, quer a nível internacional, como vários municípios do Brasil, quer em Portugal, como por exemplo o caso de Vila do Conde onde existe um Conselho Municipal de Agricultura. Outra das ferramentas com que a autarquia se pode equipar neste domínio é a criação dum Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável, o qual poderá fomentar a criação dum Plano Municipal de Agricultura Urbana e Familiar, visando produção e comercialização de alimentos saudáveis com a vantagem adicional de promover o auto-sustento, sendo ainda fonte de receita adicional para os produtores deste tipo de bens.
           Resta finalmente que ao dinamizar a agricultura estamos também a dinamizar um conjunto de bens e serviços que a ela estão associados.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

A autarquia e a organização da Mobilidade Urbana

            As nossas cidades, vilas e aldeias possuem uma distribuição complexa de habitações e serviços, mais concentrados no seu centro e dispersando-se para a periferia, onde habitam muitas das pessoas que trabalham no centro.
            A problemática da gestão dos meios de locomoção que permitem o transporte das pessoas entre os vários pontos dos aglomerados urbanos é sempre um dos grandes desafios de qualquer autarquia.
            A circulação dentro do município pode ser feita recorrendo ao transporte individual ou ao transporte público, com vantagens e desvantagens em ambos os casos.
É evidente que um maior recurso ao transporte público é uma solução mais ecológica e económica, mas não permite o acesso a todos os pontos do concelho, fazendo uma completa ligação dos circuitos, nem sempre está disponível na hora que nos convém, não demora geralmente o tempo desejável, condicionantes que tornam o recurso ao transporte individual uma necessidade, a qual acaba por levar ao congestionamento do trânsito, mais acentuado em certos períodos do dia ou em horas de ponta, ao problema do estacionamento e a um grau elevado de poluição.
            Para uma maior fluidez do trânsito as vias de comunicação foram alargando as faixas, quer em número, quer em dimensão, foram criados túneis, viadutos, rotundas, semáforos, de modo a permitir melhor eficácia do trânsito em vias congestionadas.
            A criação de corredores próprios para o transporte público é um dos meios frequentemente utilizados para tornar estes transportes mais rápidos e portanto mais apelativos.
            Quando se fala em mobilidade individual pensamos essencialmente no automóvel, mas as ciclovias são uma alternativa económica e ecológica, principalmente desde que se tornaram mais acessíveis bicicletas com ajuda eléctrica. Não deixa também de ser menos importante a locomoção pedonal e os aglomerados urbanos devem acautelar que este tipo de mobilidade se faça da melhor maneira, quer pela criação de ruas exclusivamente pedonais, quer pela criação de alternativas ao cruzamento das vias rodoviárias pelos peões onde este se faça com relativa segurança, sem esquecer o cidadão com mobilidade reduzida.
            A crise económica global, a instabilidade política e militar das regiões produtoras de combustíveis fósseis leva a estimar que haja um aumento progressivo dos custos do transporte, penalizando o transporte individual e criando novas exigências para o transporte público como alternativa viável para a mobilidade urbana. Pertinente é também considerar incentivos para a utilização de veículos mais ecológicos, de que são exemplo os veículos eléctricos, quer a nível de utilização de corredores próprios ou partilhados com os transportes públicos, da criação de lugares de estacionamento privilegiado e incremento dos pontos de carregamento.
            Para uma maior facilidade da utilização do transporte público é fundamental a criação de várias estações intermodais onde o utilizador possa fazer a ligação entre o transporte individual e o transporte colectivo, ou mesmo entre os diversos tipos de transporte colectivo, como rodoviário e o ferroviário entre outros.
            O transporte urbano também pode ser pensado no âmbito da freguesia criando eventualmente serviços de transporte público próprios da freguesia, e nódulos intermodais mais pequenos, onde se possa chegar de transporte individual e deixa-lo lá pra prosseguir a viagem em transporte público convencional.